18 de nov de 2013

CALVIN E HAROLDO NA TELONA

Já faz mais de 15 anos que o cartunista Bill Watterson parou de produzir os quadrinhos de Calvin e Haroldo, mas nem por isso seus leitores deixaram as tirinhas na gaveta.

É esta a paixão que o diretor americano Joel Allen Schroeder, 33, quis retratar em seu primeiro filme, “Dear Mr. Watterson”, lançado nos cinemas dos EUA e disponível para compra pela internet.

As tirinhas, que narram a história de um menino hiperativo de seis anos e seu inseparável tigre de pelúcia- foram publicadas nos Estados Unidos de 1985 a 1995, influenciando uma geração de jovens da qual Schroeder faz parte, e surgiram de uma carta para Watterson que nunca foi além da primeira linha.

Em 2007, voltou-se às câmeras e passou a recolher depoimentos de fãs e quadrinistas que o ajudaram contando como Calvin influenciou suas vidas. Há declarações de artistas sobre como aprenderam inglês com as tirinhas, como esperavam pela edição de domingo para encontrar algo positivo entre os acontecimentos noticiados ou até como se tornaram cartunistas inspirados pela obra.

De acordo com o diretor, porém, o filme não é apenas uma carta de amor a Watterson: “Quero levantar a discussão sobre o poder dos quadrinhos como arte, como algo que tem um impacto real na vida das pessoas”, explica.

Além dos depoimentos, o documentário registra uma visita de Schroeder à Changrin Falls, nos EUA, cidade na qual Watterson cresceu, revelando a semelhança do cenário local com o dos quadrinhos. O diretor ainda passa pela biblioteca do condado, onde descobre obras do começo da carreira do cartunista.

No entanto, Bill Watterson, o próprio, não chegou a ser procurado. “Ele é uma pessoa muito discreta, que claramente prefere sua privacidade”, comenta. “Tive muito cuidado para não transformar o filme em uma busca por ele.”

O cartunista é conhecido por nunca ter permitido a comercialização da imagem dos personagens, impedindo que ela fosse vendida para estampar produtos. No documentário, o quadrinista Stephen Pastis lamenta que esta decisão tenha privado milhares de crianças de terem um tigre de pelúcia como Haroldo.

O filme, além de contar com as histórias de fãs, foi financiado por eles. A produção conseguiu arrecadar U$101 mil (cerca de R$ 235 mil) a partir de duas campanhas em um site de financiamento coletivo.

A carta para Watterson, afinal, não foi completamente engavetada: Schroeder enviou o filme pronto ao criador de Calvin e Haroldo. “Sei que ele viu e que apreciou nossas escolhas de não tornar o filme intrusivo. Isso foi muito gratificante para nós”, disse o diretor.

Fonte: Folhapress

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